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quinta-feira, 17 de outubro de 2019

O Estranho que Nós Amamos


The Beguiled (sem título no Brasil), livro de Thomas Cullinan, tem um potencial enorme à misoginia. Sua primeira adaptação para as telas de 1971, está longe de ter um ponto de vista feminista. Chegamos então à 2017, quando a segunda versão para o cinema de O Estranho que Nós Amamos chega, com intenções específicas pelas mãos de Sofia Coppola.

Regatado por um grupo de mulheres sulistas de um internato para moças. A chegada do "inimigo", desperta, curiosidade, medos, dúvidas, desejos e intrigas em seu cotidiano entorpecido pela guerra.

Chegada do cabo John McBurney (Colin Farrell) é o que coloca a história em movimento, mas são as moradoras do internato comandado por Martha Farnsworth (Nicole Kidman) que conduzem a trama. Assim as duas professoras e cinco alunas, todas de personalidades distintas e bem definidas reagem cada uma à sua maneira à presença do estranho. O foco maior está nas figuras da madura Sra. Farnswoth, a remprimida professora Edwina (Kirsten Dunst) e a adolescente "rebelde" Alicia (Elle Fanning), mas todas as moças tem seu tempo de tela e função na trama. É a pequena Amy (Oona Laurence), por exemplo a responsável pela decisão de resgatar o soldado ferido.

Visitante, do qual nunca temos certeza completa das intenções. Efeito tanto, da escolha de focar na visão das mulheres, quando da forma mais contida com que o personagem é apresentado. Eficiente no papel, Farrell mantém o público em alerta constante, ao apresentar comportamentos distintos de acordo com sua "parceira de cena". Romântico, ameaçador, galanteador, um homem seriamente traumatizado, nunca realmente compreendemos quem é John McBurney, e isso aumenta a tensão em torno de sua presença. E de fato não é importante já que o interesse aqui é a percepção das mulheres à ele.

Expressão contida da contida professora. Já Fanning é muito bem sucedida ao criar uma adolescente indomável e cheia de curiosidade quanto a sua sexualidade "recém despertada". Nicole Kidman que soa fora de tom em alguns momentos, falhando em imprimir um pouco mais de força e experiência de uma pessoal responsável por várias jovens.

Vida conforme as moças se envolvem com seu hospede. Sem no entanto, perder o tom melancólico e sombrio destas vidas condenadas pela guerra. O design de produção impecável é complementado pela trilha sonora minimalista, que acerta ao usar o canto dos pássaros para criar um ambiente bucólico e ao mesmo tempo isolado do resto do mundo. Vale lembrar que o isolamento é fator determinante para o desenrolar da trama, já que afeta o comportamento de todos na casa.

Dilemas dos moradores desta "casa das sete mulheres", com um discurso feminista e inteligente nas entrelinhas. Em plena era do "remake", quando a sensação geral é de que nada mais é "sagrado" ou no mínimo suficiente. Eventualmente, somos surpreendidos por obras que precisam, ou mesmo mereçam, um novo olhar. Sofia Coppola ofereceu uma versão melhor e mais eficiente da história que chama atenção pela sua franqueza.

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